AgRg no HC 1.014.212/ES
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Título Técnico
Prova digital e prisão preventiva. Ausência de cadeia de custódia e de código hash. Perícia complementar. Substituição por cautelares diversas.
Tese Firmada
Quando os principais elementos probatórios de autoria consistem em dados digitais cuja fidedignidade necessita de confirmação mediante exame pericial, a proporcionalidade recomenda a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas até a conclusão da diligência técnica. Havendo dúvida razoável sobre a integridade e autenticidade da prova digital, é necessária a realização de exame pericial para assegurar a confiabilidade do material e o exercício do contraditório.
Pano de Fundo
A CONTROVÉRSIA — Réu preso preventivamente desde novembro de 2022 tem a custódia sustentada, quanto à autoria, em elementos probatórios de natureza digital: capturas de tela (prints) de conversas de aplicativo de mensagens e imagens de videomonitoramento extraídas de aparelho DVR. Discute-se se esse material, juntado sem certificação técnica de integridade e autenticidade, pode amparar, por si só, a manutenção da prisão cautelar.
O DISSENSO JURÍDICO — O Tribunal de origem reputou dispensável a perícia, tratando o conteúdo como prova documental formalizada em relatório circunstanciado por agente policial identificado. Contrapõem-se dois vetores da jurisprudência do STJ: a Sexta Turma (REsp 2.123.764/ES) admite regime documental para conteúdos digitais formalizados, ressalvado o controle de confiabilidade quando há impugnação substancial; a Quinta Turma (AREsp 2.972.295/MT) exige que a confiabilidade derive da possibilidade de reexecução e controle técnico por terceiros, com trilha verificável de integridade.
A MATRIZ NORMATIVA — Incidem o dever estatal de demonstrar, por meios objetivos e auditáveis, a integridade e a rastreabilidade do percurso probatório digital; o art. 563 do CPP (pas de nullité sans grief), que afasta a nulidade automática sem prejuízo real; e o art. 282, § 6º, do CPP, que autoriza a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas quando adequadas e suficientes.
Ratio Decidendi (Fundamentos Determinantes)
NATUREZA DA PROVA DIGITAL — O dado digital é imaterial, volátil e passível de alteração sem deixar rastros perceptíveis a olho nu. Essas características exigem que a atividade probatória estatal seja revestida de salvaguardas técnicas que assegurem não apenas a autenticidade do dado (ser o que diz...
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Laboratório de Prova Oral
Pergunta
Em processo penal cuja imputação de autoria repousa essencialmente em prints de aplicativo apreendidos com autorização judicial, mas sem código hash nem cópia forense, a defesa impugna a integridade do material e o réu está preso há mais de três anos. A ausência de cadeia de custódia técnica gera nulidade automática da prova? E como isso repercute na prisão preventiva?
Legislação Citada
Classificação Editorial
Direito Processual Penal — Prova — Prova digital — Cadeia de custódia e código hash — Prisão preventiva — Medidas cautelares diversas — Proporcionalidade — Info 878/STJ — AgRg no HC 1.014.212/ES